Seja bem-vindo
Manaus,06/10/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Wilson Lima acusa Eduardo Braga de esconder ligação com grupo dono da Âmbar


Wilson Lima acusa Eduardo Braga de esconder ligação com grupo dono da Âmbar

Manaus (AM) — O candidato ao Senado pelo Amazonas Wilson Lima (União Brasil) afirmou nesta sexta-feira (18) que a ação judicial apresentada pelo senador e candidato à reeleição Eduardo Braga (MDB) para suspender a substituição de cabos de energia pela Âmbar Energia seria uma tentativa de esconder sua relação econômica com o grupo empresarial que controla a concessionária. A declaração ocorre um dia após a Justiça Federal determinar a suspensão da troca dos condutores, em ação popular movida por Braga, em meio às críticas sobre a qualidade do fornecimento de energia em Manaus.

A liminar foi concedida em 17 de setembro, pela 3ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amazonas, e determinou a interrupção da substituição de ramais, fios e cabos por condutores de alumínio até que sejam apresentados elementos técnicos sobre a necessidade e a segurança do procedimento. A decisão também prevê multa de R$ 1 milhão por dia em caso de descumprimento e mantém autorizados serviços emergenciais.

Wilson sustentou que Braga estaria tentando criar uma justificativa para a medida judicial depois de ter declarado à Justiça Eleitoral possuir 9.800 ações da JBS N.V., avaliadas em R$ 749.980,77, identificadas na declaração patrimonial de 2026 pelo código JBSS32. O registro consta nas bases públicas que reproduzem os dados apresentados à Justiça Eleitoral.

A JBS N.V. integra o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e a Âmbar Energia também faz parte do conglomerado. A própria Âmbar informa que Joesley Batista assumiu a presidência de seu Conselho de Administração em abril de 2026 e que Wesley Batista passou a integrar o colegiado como vice-presidente.

“É só para tentar disfarçar que ele é sócio dos donos da empresa e tentar enganar os eleitores”, afirmou Wilson. A declaração se refere às ações da JBS declaradas por Braga, mas a existência desse investimento, por si só, não comprova uma participação societária direta de Braga na Âmbar Energia.

Cabos e atuação de Braga

A ação apresentada por Braga resultou na decisão judicial que suspendeu temporariamente o programa de substituição de cabos. Segundo a decisão divulgada, o juiz Ricardo Augusto Campolina de Sales determinou que a retomada poderá ocorrer caso sejam demonstrados, para cada categoria de fornecimento, a adequação dos cabos e conectores à demanda prevista, acompanhada dos respectivos ensaios e certificados.

Wilson também citou declarações recentes de Braga sobre os problemas no fornecimento de energia em Manaus. Segundo o material apresentado pelo candidato, o senador atribuiu parte das dificuldades atuais às condições em que a antiga concessionária deixou o sistema e afirmou que a Âmbar assumiu a operação há poucos meses, com previsão de investimentos de aproximadamente R$ 14 bilhões no Amazonas.

A crítica de Wilson ocorre ainda depois de manifestações públicas de Braga em defesa da concessionária diante de relatos de moradores e comerciantes sobre interrupções no fornecimento, oscilações de tensão e danos a equipamentos. O candidato do União Brasil relacionou essas manifestações ao fato de Braga ter declarado as ações da JBS na Justiça Eleitoral.

A Âmbar Energia, por sua vez, nega que esteja substituindo cabos de cobre por cabos de alumínio. Segundo a empresa, os cabos convencionais utilizados na rede de distribuição já são de alumínio e o trabalho realizado consiste na substituição por cabos concêntricos, também de alumínio, mas revestidos por uma capa. A concessionária afirma que a medida integra um processo de modernização destinado a tornar a rede mais robusta e melhorar a continuidade do fornecimento.

De acordo com a empresa, a mudança também busca reduzir interrupções provocadas pela queda de objetos sobre a rede, como galhos de árvores, e diminuir ligações irregulares de energia. A Âmbar afirma ainda que os materiais seguem as normas técnicas brasileiras NBR 15716 e NBR NM 280 e são dimensionados conforme a carga de cada trecho da rede.

Wilson, entretanto, contestou a necessidade da discussão sobre o material utilizado. “Dá para notar que há uma tentativa do meu adversário de tentar, desesperadamente, se desvencilhar da condição de ter declarado suas ações do grupo empresarial dono da Âmbar”, afirmou. Segundo ele, a decisão judicial poderia, em última análise, favorecer a própria concessionária ao interromper a substituição prevista para a rede.

“A ideia dele não trará nenhum benefício ao consumidor, mas pode, em última análise, beneficiar a própria concessionária de energia, que fica desobrigada de melhor o sistema de transmissão”, disse Wilson. Braga, por sua vez, negou ter participação na Âmbar e afirmou que acionou a Justiça em defesa dos consumidores, segundo declaração divulgada após a decisão.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.